A imagem de um bebê nascendo na água é uma das mais poderosas e serenas da obstetrícia moderna. Ela evoca um sentimento de paz, naturalidade e respeito. Muitas mulheres, ao descobrirem os benefícios incríveis da água morna para o alívio da dor no trabalho de parto, sentem-se tão bem e relaxadas que uma pergunta surge naturalmente: “Eu posso ficar aqui? Eu posso ter meu bebê aqui?”
A resposta é: sim.
O nascer na água, saindo do útero da sua mãe direto para a água da banheira/piscina, é uma das formas de nascimento possíveis e que não deixam a desejar em nada no quesito segurança, quando bem acompanhadas.
Vamos mergulhar fundo (sem trocadilhos) no que torna esse momento tão especial, desmistificar o maior medo de todos e explicar por que essa é uma transição tão gentil para o bebê.
A Chegada Mais Suave: O “Útero Externo”
O ponto central do parto na água é o benefício para o bebê. É inquestionável que, ao nascer na água, ele vive uma chegada ao mundo muito menos traumática.
Pense comigo: por nove meses, o bebê viveu em um ambiente aquático, escuro, quente e com sons abafados. Um nascimento convencional o expõe, abruptamente, a um ambiente completamente oposto: ar frio, luzes fortes, sons altos e a sensação da gravidade.
A água morna da banheira (mantida em temperatura controlada, próxima à do corpo, 36-37°C) funciona como um “útero externo”.
• A Temperatura: É semelhante à do útero, evitando o choque térmico.
• Os Estímulos: Ele sente menos os efeitos externos, como luz e barulho, pois a água abafa ambos.
• A Transição: O bebê sai de “água para água”. É uma passagem muito mais natural e gentil entre o “mundo de dentro” e o “mundo de fora”.
O Maior Medo: “Mas e o Bebê Pode se Afogar?”
Vamos direto ao ponto que gera mais ansiedade em pais, mães e até em profissionais desatualizados. A resposta curta, direta e baseada na ciência é: NÃO.
Um bebê saudável, nascido de um parto sem intercorrências, não se afogará por nascer na água. Isso se deve a uma combinação perfeita de reflexos e fisiologia.
1. O Oxigênio Ainda Vem do Cordão
O ponto mais importante: o bebê não precisa respirar! Durante todo o nascimento e nos primeiros segundos submerso, ele continua mantendo a respiração (troca gasosa) pelo cordão umbilical, recebendo todo o oxigênio que precisa diretamente da mãe.
2. O Reflexo de Mergulho (Laringe)
Este é um reflexo de sobrevivência incrível. Enquanto ele estiver embaixo d’água, há um estímulo que fecha a laringe (o “reflexo de mergulho”) e impede a aspiração da água. A boca pode até se abrir, mas a via aérea permanece selada.
3. A Fisiologia dos Pulmões
Os pulmões do bebê estão cheios de líquido amniótico; eles ainda não foram “inaugurados”. O estímulo que “liga” os pulmões e faz o bebê dar a primeira respiração é uma combinação de fatores que só acontecem fora da água: o contato com o ar frio, a mudança na pressão e o manuseio.
Dessa forma, a fisiologia protege o bebê: os pulmões somente são abertos após a saída da água, quando ele é trazido gentilmente ao colo da mãe.
E a Segurança? A Vigilância é a Mesma (ou Até Maior)
Muitos se perguntam se o parto na água é “menos monitorado”. Pelo contrário.
Lembrando que nos partos realizados na banheira, a vigilância do bem-estar do bebê é feita da mesma forma que nos partos convencionais. Nós, como Enfermeiras Obstetras, usamos um equipamento especial chamado Sonar Doppler à prova d’água.
Com ele, conseguimos monitorar os batimentos cardíacos do bebê perfeitamente durante todo o processo, nos intervalos das contrações, exatamente como faríamos “no seco”. A segurança sua e do bebê é sempre a prioridade número um, e a água não diminui em nada nosso rigor técnico.
Após o Nascimento, Há Admiração
O resultado dessa transição suave é, muitas vezes, um bebê mais calmo. É muito comum que bebês nascidos na água chorem menos e fiquem mais alertas, olhando para a mãe nos primeiros minutos.
Após o nascimento, há admiração.
Aquele momento em que o bebê é trazido para junto da mãe, pele com pele, ainda no calor da água, é mágico. Os primeiros segundos passam de forma lenta e proveitosa para a família, marcando o início da vida de uma forma incrivelmente pacífica e conectada.
Você já tinha pensado na possibilidade do parto na água? Ou já teve sua experiência? Deixe sua dúvida ou sua história nos comentários!
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