“Parir é abrir mão do controle.”
Se essa frase te causa medo, você não está sozinha. Vivemos em uma sociedade que nos treina para o controle. Planejamos a carreira, a casa, as finanças. E, de repente, no evento mais transformador de nossas vidas, a recomendação é “se entregar”.
Mas aqui está o segredo que ninguém conta: a entrega e segurança no trabalho de parto só é possível porque existiu um controle de grande parte racional na gestação.
Essa é a grande sabedoria do parto. É uma jornada de duas fases: a preparação (onde você controla o que pode) e o parto (onde você confia em tudo o que preparou).
Fase 1: O “Controle Antes” (O Trabalho da Gestação)
Este é o período do seu eu mais racional. É a hora de ser a gerente do seu projeto. É o momento de construir a “rede de segurança” que vai te amparar na hora H.
O que você deve querer controlar?
• Escolha sua equipe. Esta é a sua decisão mais importante. É o controle de escolher profissionais (Enfermeiras Obstetras, Obstetra, Pediatra, Doulas) que pensam como você, em quem você confia 100% e que irão proteger seus desejos e sua segurança.
• Se informe do local de nascimento; Em uma casa de parto? Centro de Parto Normal? Em qual hospital? Você precisa controlar essa escolha, entendendo os protocolos e a filosofia de cada lugar.
• Participe de grupos; Converse com amigas/pessoas que percorreram um rumo semelhante; Isso é controlar sua “aldeia”. É buscar informação, filtrar experiências e se cercar de apoio real.
• Tudo dentro do seu possível. O controle não é sobre perfeição. É sobre fazer o melhor que você pode com os recursos que você tem para construir uma base sólida.
Este é o seu trabalho durante nove meses. É uma fase ativa, mental e de muito planejamento.
Fase 2: A Hora de Parir (A Entrega Fisiológica)
Você fez o trabalho. Você montou o cenário. Você escolheu os atores.
Mas quando chegar a hora de parir… aaaah , quando chegar essa hora : te liberta ! Te entrega !
Este é o momento de desligar o cérebro racional (o neocórtex) e ligar o cérebro instintivo.
Se você ficar no “controle” racional, você vai se perguntar: “quantos centímetros estou?”, “por que está demorando?”, “essa dor é normal?”. E cada uma dessas perguntas joga adrenalina no seu corpo, o hormônio que, como já vimos, é o maior inimigo da ocitocina (o hormônio do parto).
“Abrir mão do controle” não é ser passiva. É o ato mais potente e ativo de deixar seu corpo fazer o que ele sabe fazer. É soltar, gemer, se mover, dormir entre as contrações. É sair da mente e entrar no instinto.
O Ponto de Virada: “É Chegada a Hora de Confiar nas Suas Escolhas”
E como você consegue fazer essa entrega?
É chegada a hora de confiar nas suas escolhas. ![]()
Este é o momento em que a Fase 1 e a Fase 2 se encontram. Você pode se entregar porque você confia.
• Você não precisa controlar a sala, porque você escolheu uma equipe que está fazendo isso por você, com um olhar técnico e leve.
• Você não precisa ter medo do processo, porque você se informou e sabe que a intensidade faz parte.
• Você não precisa se sentir sozinha, porque você conversou com outras mulheres e sabe que essa é uma travessia possível.
Toda a energia que você gastou “controlando” na gestação se transforma, no parto, em confiança.
Conclusão: Acolhida e Confiante
Seu protagonismo não é sobre controlar cada segundo do parto. Seu protagonismo foi ter feito as escolhas que te permitiram, na hora H, ser a protagonista do seu instinto.
Nosso papel como equipe é ser o guardião dessa confiança.
Esperamos realmente que você seja acolhida (pelo ambiente, pela equipe, por suas escolhas) e que esteja confiante para viver o seu parto.
Como você lida com a ideia de “abrir mão do controle”? Já está construindo a sua rede de confiança? Conte para nós nos comentários!
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