Eu vou começar este texto com a frase que o inspirou: “Entenda você: parir é supremo!”
Se você está grávida ou planeja engravidar, pode ser que essa frase soe estranha. Na nossa cultura, a palavra mais associada ao parto não é “supremo”, mas sim “medo”, “dor” ou “risco”.
A jornada de uma mulher que decide ter um parto normal é uma verdadeira travessia, cheia de obstáculos que começam muito antes da primeira contração. É uma jornada que começa na gestação, onde a incerteza pela sua escolha vem à tona.
Este artigo é sobre essa travessia. Sobre os sentimentos, as sensações e os desafios que você terá que enfrentar, e por que, no final, a recompensa é tão, mas tão poderosa que a única palavra que a descreve é: ENCANTAMENTO.
Obstáculo 1: O Julgamento Social (“Louca” ou “Corajosa”?)
O primeiro obstáculo não é físico. Ele é social.
Ele aparece sutilmente, quando em uma conversa casual escuta-se que tu só pode “ser louca” ou “ser corajosa” por “tentar” o parto normal.
Note a palavra “tentar”. Na nossa sociedade, o parto normal (o evento fisiológico para o qual o corpo feminino foi desenhado) se tornou a exceção. A cesárea, uma cirurgia de grande porte, se tornou o padrão de “segurança” e “modernidade”.
Quando você escolhe o caminho fisiológico, você está indo contra a maré. Você não é vista como “normal”; você é vista como uma extremista, uma “louca” que busca o risco ou uma “corajosa” que se submete à dor desnecessária. Este é o primeiro grande obstáculo: validar sua própria escolha perante um mundo que vai te questionar.
Obstáculo 2: O Medo Interno (O Confronto com o Corpo)
Superado (ou ao menos gerenciado) o obstáculo social, você se depara com o segundo: o interno.
Tu tens que enfrentar teus medos e anseios em saber que um bebê terá que sair de você.
É um pensamento avassalador. É o medo do desconhecido, o medo da dor, o medo do seu próprio corpo. “Como isso é possível?” “Será que meu corpo dá conta?”
Este medo é visceral e real. É a consciência da magnitude do que está por vir. Enfrentar esse medo é parte fundamental de se preparar para o parto. É olhar para dentro e começar a construir a confiança de que sim, seu corpo foi feito para isso.
Obstáculo 3: O Sistema (A Luta Contra a Violência Obstétrica)
Eis um obstáculo que não deveria existir, mas que é, talvez, o mais cansativo.
Tens que ter certeza da escolha da equipe. Você gasta horas pesquisando, lendo relatos, buscando profissionais alinhados com o parto respeitoso. Por quê?
“Afinal … ainda existe muita violência relacionada a obstetrícia.”
Você descobre que precisa se proteger. Que “dar à luz” em muitos lugares ainda significa ser submetida a uma “muita intervenção desnecessária”. Você aprende sobre manobras proscritas, ocitocina sem indicação, exames de toque excessivos e a “pressa” institucional que não respeita o seu tempo.
Parte da sua preparação para o parto se torna, então, uma preparação para uma “batalha”: a de garantir que seus direitos e seu corpo sejam respeitados.
Obstáculo 4: A Travessia (O Trabalho de Parto)
E então, o dia chega. Tu tens que viver o trabalho de parto.
E o seu post foi perfeito em descrevê-lo: “e isso envolve dor, inquietude, insegurança…”
Este é o momento em que todos os medos, todas as dúvidas, vêm à tona. É a hora da verdade. A dor é real. A intensidade é crescente. A inquietação toma conta.
É o momento em que o cérebro racional, que teimava em ter controle, começa a se desligar, e as perguntas quebram sua concentração: “‘será que vou aguentar?’, ‘será que vai nascer?’, ‘será que está descendo?’, e por aí vai …”
São tantos sentimentos e sensações. Tantos obstáculos mentais e físicos ao viver essa travessia. É o ápice da vulnerabilidade.
A Recompensa: O Êxtase, A Alegria, O Encantamento
A travessia é árdua. Não vamos mentir.
Mas depois que nasce… aaaaah depois que nasce…
É impossível descrever em palavras o que acontece nos segundos seguintes ao nascimento, mas seu post tentou da forma mais bonita:
O êxtase.
A alegria.
A euforia!
O que é isso? É o maior “tsunami” hormonal que um ser humano pode experimentar. É a ocitocina (o hormônio do amor) e as endorfinas (os analgésicos naturais) inundando seu corpo em níveis astronômicos, como uma recompensa biológica por todo o esforço.
É o alívio imediato da dor, a sensação de poder infinito por ter conseguido, a conexão instantânea com seu bebê que chega ao seu colo. É a prova final de que você não era “louca”, e que a “coragem” valeu a pena.
É a prova de que seu corpo é perfeito.
O ENCANTAMENTO.
Você, que está nessa travessia, que está sendo chamada de “louca” ou que está com medo do “será que vou aguentar?”, saiba que seus sentimentos são válidos. E saiba que estamos aqui para te ajudar a atravessar cada um desses obstáculos para chegar ao encantamento.
Deixe sua dúvida ou seu maior medo aqui nos comentários! Vamos conversar.
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