Se você está pesquisando sobre parto vertical ou parto humanizado, é quase impossível não ter visto uma foto da banqueta de parto. Ela é, sem dúvida, uma das posições mais emblemáticas e, como observamos em nossa prática, ela é a posição mais escolhida/usada pelas pacientes que acompanhamos.
Mas por que ela é tão popular? Ela é realmente a melhor opção? E o que os estudos dizem sobre seus riscos e benefícios?
Se você quer ir além da foto bonita e entender a fundo essa ferramenta, este post é para você. Vamos analisar, ponto a ponto, por que a banqueta de parto funciona, como usá-la com segurança e o que a ciência diz sobre seus resultados.
Os Benefícios Imediatos: Por que a Banqueta Conquista Tantas Mulheres?
A popularidade da banqueta não é à toa. Ela oferece duas vantagens principais que mudam a experiência do parto: a fisiologia e o acolhimento.
1. A Posição Fisiológica (A Gravidade é sua Amiga)
A banqueta de parto não é um invento moderno; ela é um resgate da sabedoria ancestral. Ela simula a posição de cócoras (agachamento), que é, instintivamente, uma das posições mais eficientes para parir.
Nessa posição, você usa a gravidade a seu favor, o que ajuda na descida do bebê.
2. O Acolhimento (O Acompanhante Participa)
Este é, talvez, o benefício mais amado. O design da banqueta (em forma de “C” ou “U”) permite “que seu acompanhante fique próximo de você.”
Ele pode se sentar atrás, abraçando, massageando suas costas, te trazendo palavras positivas e oferecendo apoio físico e emocional. Ela transforma o parto em um evento de conexão profunda, onde o casal (ou o acompanhante escolhido) trabalha ativamente em conjunto.
A Regra de Ouro: Como Usar a Banqueta Corretamente
Como qualquer ferramenta, a banqueta tem um “manual de instruções” para ser segura e eficaz. “Sentar na banqueta” não é o suficiente; é preciso saber como e quando sentar.
CUIDADO: Seu Sacro Deve Estar Livre!
Este é o ponto técnico mais importante. “Mas cuide, seu sacro deve estar livre para permitirmos a movimentação fisiológica do teu corpo.”
O sacro (aquele osso no final da sua coluna) precisa se mover para trás (movimento de contranutação) durante o expulsivo para abrir o diâmetro final da pelve. Se você senta em uma banqueta com um encosto rígido ou se apoia totalmente para trás, você “trava” seu sacro.
A posição correta na banqueta é com o tronco levemente inclinado para frente, apoiada no seu acompanhante ou sozinha, garantindo que seu sacro tenha liberdade total de movimento.
QUANDO Usar: Apenas no Período Expulsivo
Embora pareça confortável, a banqueta não foi feita para passar todo o trabalho de parto. A pressão contínua no períneo pode ser cansativa e até causar inchaço.
Por isso, o consenso é claro: “Utilizar a banqueta somente no período expulsivo, seria a opção de melhor uso.” Ela é a “cereja do bolo”, a ferramenta para o “gran finale”, quando o bebê já está baixo e pronto para nascer.
O que Dizem os Estudos?
E agora, o ponto mais importante. O que a ciência diz sobre a banqueta? A evidência é mista e é nosso dever ser transparente sobre ela.
“E o que dizem os estudos?”
Os Prós (O Lado Bom da Evidência)
• Parto Mais Rápido: “Os estudos dizem que o seu uso aumenta o nascimento de parto [nascimento], sendo ele mais rápido.” Como falamos, a gravidade e a abertura pélvica otimizada ajudam o bebê a descer de forma mais eficiente.
• Menos Manuseio: “Diminui o manuseio do obstetra/enfermeira no seu períneo.” Como a posição é tão fisiológica, o profissional (como nós) não consegue tentar “ajudar” a nascer, intervir ou fazer manobras no períneo, permitindo um nascimento mais natural.
O Alerta e a Boa Notícia (A Questão das Lacerações)
Aqui precisamos de total honestidade.
O Alerta: “Também há um risco maior de laceração de segundo grau…”
O que isso significa? Uma laceração de 2º grau atinge pele e músculos, mas não o esfíncter anal. Os estudos sugerem que, como o nascimento na banqueta pode ser mais rápido, o períneo tem menos tempo para se esticar gradualmente, aumentando a chance desse tipo de laceração.
A Boa Notícia: “…PORÉM, diminuindo a ocorrência de lacerações graves (3º e 4º grau).”
E esta é a parte crucial. As lacerações graves (3º e 4º grau) são as que atingem o esfíncter anal e o reto, e são as que trazem mais complicações a longo prazo. Os estudos mostram que a banqueta parece proteger a mulher contra esses tipos de laceração mais severas.
É uma troca: um risco levemente maior de algo comum (2º grau) por um risco menor de algo grave (3º e 4º grau).
Conclusão: A Banqueta é Ótima, Mas a Liberdade é Melhor
Então, a banqueta é a melhor posição? A resposta é: ela pode ser, para você.
O mais importante é o que o seu post conclui: “Devemos respeitar o desejo da mulher, nem sempre a banqueta vai ser a melhor posição.”
O parto é movimento, quando você quiser movimento. Você pode amar a banqueta, ou pode odiá-la na hora. Você pode preferir ficar de quatro, de lado, na água ou em pé. Nosso papel não é te colocar na banqueta, mas sim te informar que ela estará lá, caso queira usá-la.
No final, a regra de ouro é uma só: “Você deve ser livre para escolher a posição mais confortável para você!”
Você já pensou em usar a banqueta de parto? Ou já teve sua experiência com ela? Compartilhe sua história ou sua dúvida nos comentários!
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